Poetisa

Ser poeta é ser corpo
e amar com a alma.
Ser poeta é prender o tempo
com três suspiros imortais
desfalecidos na garganta.
É sorrir para a solidão com os dedos pingando palavras
e fazer do mundo o seu sonho apenas com uma folha na mão
Palminhar todos os recantos
do coração despido
com uma caneta espetada na pele

Nos espaços vazios
que separam todas as letras
ocultar as batidas mais fortes
que lhe arrancam o peito.
Com frases curtas somar segredos
como se fossem pequenos grãos de areia
e com eles construir uma montanha
nos lábios da madrugada amordaçada
por beijos ruidosos.

Num verso sonhado
com a cabeça pousada na realidade
as lagrimas não sabem a sal
e a água que os olhos derramam no papel
queima a boca quando provada.
O fogo que lavra nos dedos
incendeia todas as folhas escritas
com o sangue servindo de tinta.

Entre dois sussurros
e um grito de prazer
debaixo de um lençol de seda.
faço nascer um poema
e não sou poeta.