Corto os pulsos sem lâmina
porque prefiro uma morte lenta
e a dor sabe fazer esse trabalho sujo
melhor do que ninguém.
Mata lentamente a alma com a cadência certa
dos ponteiros de um velho relógio de corda
pendurado na parede.
Enquanto o coração
tenta manter a batida
dando murros no peito
eu fico sozinha
refugiada em mim mesma
enxugando todas as lágrimas
que rolam pelo pescoço
até apenas restarem pacotes de lenços vazios
estendidos em cima da secretária.
As palavras...
já só gaguejam no papel
com receio do que poderão dizer
se escancararem com violência todas as letras.
As mãos...
tremem assustadas com a intensidade
das letras que carregam nas costas
e inocentes vão sufocando os gestos
com as linhas que ficaram por escrever
entaladas nas curvas da caneta.
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